Como o Krav Maga pode apoiar as crianças que sofrem bullying

Quatro em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos afirmam já ter sido alvos de bullying.

Os dados IBGE são um retrato da realidade que, muitas vezes não chega ao conhecimento dos pais ou responsáveis e, quando chega, já é tarde demais.  

Esse tipo de ataque geralmente se dá sobre a criança que tem uma aparência diferente (ex: excesso de peso, usar óculos), é mais fraca, tem um comportamento passivo, é nova na turma ou que simplesmente se destaca como bom aluno. No geral, elas apresentam maior dificuldade para se expressar ou se abrir em casa e na escola.

O medo de piorar a situação e, quando a chantagem costuma fazer parte das agressões, também contribui para o silêncio. Tudo isso pode acarretar em isolamento, ansiedade e depressão.

O Krav Maga trabalha com técnicas que visam, além da defesa pessoal, melhorar a autoestima, inserir a criança em atividades em grupo, vivenciar o apoio e a solidariedade, ganhar força e agilidade e mudar a sua relação com o medo e com a ansiedade.

“Por se tratar de uma atividade de defesa pessoal e não de um esporte de competição, o Krav Maga capacita o indivíduo para que ele possa superar seus próprios obstáculos, com o apoio dos demais praticantes”, conta Grão Mestre Kobi Lichtenstein, o introdutor do Krav Maga na América Latina e presidente da Federação Sul Americana de Krav Maga.

A partir de 10 anos, a criança já pode iniciar a prática da modalidade. Outro ponto diferencial do Krav Maga é que a criança pode treinar com um irmão mais novo ou mais velho, até mesmo com seus pais e familiares, todos na mesma graduação, o que dá a ela ainda mais confiança. “As graduações são divididas pelo desenvolvimento pessoal e não por idade”, Explica Grão Mestre Kobi.

5 dicas do Krav Maga contra o bullying

1- Aprender a se defender

Quem apanha ou sofre intimidação precisa aprender a se defender. Isso mudará a sua postura diante do medo, aumentará a sua autoestima e autoconfiança. Somente essa mudança de postura já desencoraja o bullying, pois o agressor busca o mais fraco e mais tímido. Mas em caso de haver a necessidade de defender sua integridade física, a criança saberá como agir.

2- Fazer uma atividade coletiva

Aprender a socializar é importantíssimo e ajuda a criança a conviver melhor com o outro. Para isso, é fundamental que ela se sinta bem e incluída por todos na atividade que escolher. Por não haver competição, o Krav Maga facilita essa socialização em um ambiente onde todos apoiam a evolução de todos.

3- Aumentar a sua autoestima

A violência psicológica causa danos emocionais que podem impactar a pessoa até a sua vida adulta. Quem tem autoconfiança elevada não aceita o bullying. A autoestima deve ser trabalhada com constância e não apenas no momento da crise. Para isso, as duas dicas anteriores são excelentes: fazer uma atividade coletiva e aprender a se defender aumentam a autoestima de qualquer pessoa.

4- Aprender a confiar

É muito comum a criança omitir o bullying e os pais só descobrirem quando o caso já é grave. As aulas de Krav Maga com profissionais devidamente preparados para ministrar a técnica, proporciona que esse aluno ganhe confiança em seu instrutor para se abrir quanto aos seus problemas, possibilitando que o próprio instrutor converse com os pais da criança.

5- Não subestimar o bullying

Bullying é coisa séria. É preciso resolver o problema o quanto antes. Estimular a criança a praticar defesa pessoal é o primeiro passo, confiando na transformação que o Krav Maga proporciona.

Grão Mestre Kobi alerta: é muito importante que o Praticante de Krav Maga procure profissionais habilitados adequadamente para o ensino da técnica. “Estamos falando de uma atividade que lida com a vida das pessoas e, ainda mais nos casos de bullying, praticar com um profissional mal preparado pode agravar ainda mais a situação”, completa.

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Grão Mestre Kobi

Aluno direto do criador do Krav Maga, Grão Mestre Kobi Lichtenstein é o introdutor do Krav Maga na América Latina.

Iniciou seus treinamentos aos 3 anos e foi o primeiro faixa-preta de Imi Lichtenfeld a sair de Israel com a missão de difundir a técnica pelo mundo. Em 1990, chegou à América Latina, mais especificamente no Brasil para difundir o Krav Maga.

Na cidade do Rio de Janeiro, fundou e hoje dirige a Federação Sul Americana de Krav Maga (FSAKM), a precursora do Krav Maga na América Latina. 

O Krav Maga Mestre Kobi é voltado para civis e militares. No mundo da segurança, pública e privada, realiza treinamentos especializados para corporações militares e policiais.

Atualmente, o Krav Maga Mestre Kobi está presente em todo o Brasil, além de México, Argentina, Portugal, Estados Unidos e Canadá, onde trabalha pela preservação da filosofia, didática e técnica do Krav Maga, tal como foi criado por Imi e ainda é aplicado em Israel.